Monday, December 20, 2004

Manhã de Inverno

Desde que me mudei para este apartamento solitário, que as horas passadas à janela são incontáveis. Um constante apreciar do movimento citadino, enquanto a noite não cai e me deixa à mercê das estrelas. Dias breves e vazios, onde as horas voam, indiferentes ao meu folhear do jornal em busca de emprego.

Até que naquela manhã de Inverno, tudo mudou. O meu olhar diluiu-se no teu e as cortinas tornaram-se minhas confidentes. Tremi ao sentir a intensidade do teu olhar esverdeado, perdido entre a chuva incessante e teimosa. Terás sentido tu o meu? Fiquei a fitar-te até desapareceres do raio da minha percepção e fechei as cortinas num movimento arrastado e de leve saudade.

Deslizei até à minha poltrona e entreguei-me de novo à maldição do folhear, misturado com tragos intervalados de café bem quente. Quem é aquela mulher? Porque não deixo de pensar nela? Os pensamentos atropelaram a minha leitura e fiquei num silêncio onde nem o meu respirar foi sentido.

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